terça-feira, 24 de dezembro de 2019
A Tiróide. (escreve-se Tireoide, mas a gente trata-se por tu)
Então estamos juntas desde que nasci, mas só a conheci em Agosto último.
Estava eu numa sessão de palpação ao meu corpo, em busca de novas preocupações para ocupar o encéfalo, e eis que... no pescoço, no lado direito, havia toda uma colina, quase planalto, que se fazia sentir. Assustada, e já com 3 diagnósticos apurados, comecei a apalpar todas as pessoas à minha volta, esperando que aquela elevação fizesse parte da anatomia humana. Mas não conseguia palpar aquela coisa em ninguém.
Os diagnósticos eram: Tumor Cervical, Linfoma e Tireoidite ou derivados da Tiróide. Entre todos, a minha amiga tiróide era a que apresentava prognósticos mais satisfatórios, segundo a minha pesquisa.
Numa ida ao Centro de Saúde com a V. para consulta, mostrei à médica, que desvalorizou dizendo achar não ser nada, ''mas vá, se fica mais descansada, vai fazer uma eco da tiróide''.
Obrigada. Até pró mês que vem.
Fui a correeeer fazer a eco, porque se a coisa for grave, atacamos já.
Durante o exame, disse ao médico, que foi excepcional, que já tinha estado a medir o que quer que fosse que lá estava, tinha 2,5cm. Ele respondeu-me que errei por milímetros, pois, era um nódulo que tinha 2,3cm. Mas que aparentava ser benigno. Fizemos biopsia. E foram as 3 semanas mais difíceis de passar. O histórico do meu telemóvel continha todas as patologias associadas à dita e até a cirurgia e possíveis complicações eu já andava a pesquisar.
Findas as 3 semanas, lá veio o resultado, era benigno e agora é vigiar, para ver se cresce.
Entretanto, a pessoa começa a achar que se calhar o intruso liberta hormonas, que fazem com que a pessoa tenha palpitações, e também que a pessoa seja ansiosa ao ponto de pesquisar todas as barbaridades sobre a sua saúde.
Vai-se a ver e tenho Hipertireóidismo, pensa a pessoa, mas onde está o emagrecimento? Esse é que fazia falta.
Fiz análises à função da dita. E está tudo dentro da normalidade.
Com isto tudo, alerto quem me lê, para que se apalpem, quer no pescoço, mamas*, axilas, etc... pois, se eu não o tivesse feito, ainda hoje não sabia da existência dele, já que não tive quaisquer sintomas.
Tudo me leva a querer que foi o Iodo na gravidez que possa ter causado isto. Mas isto sou só eu a querer culpar o médico do Centro de Saúde que me seguiu na gravidez, pois, acho que não se devia mandar grávidas tomar Iodo, sem fazer análises à Função da Tiróide. Mas isto sou só eu a inventar.
* Um dia conto a história do nódulo na mama que também apareceu pós-parto.
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
Um ano!
Começou por ser a Baixa de Gravidez de Risco, depois o nascimento e a dita Licença de Maternidade.
Parece que foi anteontem que fiquei de baixa. E parece que foi ontem que a V. nasceu. Mas não foi. Já passaram 4 meses e eu não me consigo conformar que a minha bebé já não é uma bebé... (até já faz cocós de adultos, graças às sopas).
Não sei como lidar com isto do regresso ao trabalho, acontecimento para o qual ainda faltam dois meses, ainda na eminência de usufruir da licença alargada, tal é o desespero.
Posto isto, fosse a pessoa, uma pessoa afortunada, já estaria grávida outra vez, só para começar de novo, over and over again.
Vou ali só olhar par ela embevecida e chorar às escondidas pensando que pode ser a ultima vez que passo por esta fase. 😭
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
A experiência em televisão
Tudo começou quando, em Abril, grávida da V., decidi ir com
a L. fazer um casting a um canal generalista da televisão portuguesa.
Tirou fotos. Tudo muito bem.
Passadas algumas semanas lembrei-me: ‘’Espera lá, e se eu
inscrevesse já a V. para quando nascer??
Com sorte ainda vai nascer num parto em alguma novela!!!’’
E assim foi, liguei para lá e referi que ia ter uma bebé
recém-nascida em Julho e estava interessada em pô-la a render
emprestá-la para fins profissionais.
Disseram para ligar quando nascesse. E eu sem saber como
iria ficar após o parto. Nem sabia se eu ia sobreviver ao parto sequer.
Cerca de um mês antes do nascimento, recebo um e-mail a
solicitar bebés recém-nascidos bla bla bla. Fiquei cheia de pena, pois ainda
faltavam 4 semanas para eu ter a minha bebé recém-nascida.
Ainda assim, chata que só eu, respondi que iria ter uma
dentro de semanas. Ninguém me respondeu.
E eis que a V. nasce no dia 8 de Julho, e dia 11, dia que
tivemos alta, recebo outro e-mail a pedir bebés recém-nascidas meninas
para uma produção, no dia 15. Ora, eu, que até sobrevivera ao parto e de boa
saúde física e mental, respondi logo todos os dados que pediam da bebé e
agendei hora para o dia 15.
Cheguei lá, tirou fotos e disseram-me logo que seria para
gravar no dia seguinte, dia 16.
E lá fomos nós, todas contentes. A adrenalina de respeitar horários
que nos eram impostos, a responsabilidade, tudo, quase que tive saudades de ir
trabalhar, com tamanho aparato, visto que já não tenho de cumprir horários e
andar a correr desde o ano passado. Mas não, as saudades do trabalho são pura ilusão.
Entretanto vamos ao canal da concorrência ver se há alguma
coisa, que isto o importante é descontar para a reforma precocemente.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Amamentação, um bicho muito mau!!!
Perdoem-me as mulheres defensoras do leite materno e amamentação, mesmo aquelas que ainda não são mães e não fazem a miníma ideia do que custa executar esta tarefa.
Minutos após a V. ter nascido, coloquei-a na maminha. Pegou tão bem, que a Enf. até comentou que ela já tinha nascido ensinada. Eu também já tinha a experiência de como eu própria manuseava a dita cuja.
Correu bem, mas ainda no hospital tive de solicitar o milagroso Suplemento à noite, pois, caso contrário, eu passava a noite e o dia em branco e ia acabar por acabar num Hospital Psiquiátrico.
Ela bebia-o todo, após uns minutos de maminha, e ficava satisfeita. Ainda assim, vim para casa só com o leite que eu própria produzia, sem suplemento algum, comprei a bomba para me ajudar a controlar o leite que produzia. Correu bem uns três dias, até que houve uma noite péssima, seguida de outra noite péssima, e não, não eram cólicas. Era gula. Só se calava na mama. Bebia até não sobrar mais nada, sendo que acabava-se depressa porque a miúda nasceu gorda e era de muito alimento. Disse BASTA. Não é bom nem para mim, nem para ela. Vou comprar o leite da lata e acabou. Esta decisão veio acompanhada de: ''Vou continuar a dar o meu''. E assim foi. Acontece que a criança habitua-se à tetina, na qual não tem de fazer a mesma força que na maminha, e quando eu a colocava na mama, dois segundos após, gritos e apitos ecoavam no prédio todo e até nos prédios vizinhos.
Pelo que me cansei, shame on me, e deixei de dar. Ainda tirava com a bomba para ver se produzia mais.. mas não. De maneiras que é assim, a fraca desistiu outra vez e já não vai ter direito à dispensa de 2 horas no trabalho após os 12 meses de idade.
Invejo positivamente e admiro imenso as mães que conseguem dar leite muito tempo. Eu infelizmente, pela segunda vez, desisti.
Pode ser que à terceira corra melhor... (Brincadeirinha)
Agora podem as mães amamentadoras invejarem-se de mim, que a criança já dorme 6 horas seguidas. 👌
Minutos após a V. ter nascido, coloquei-a na maminha. Pegou tão bem, que a Enf. até comentou que ela já tinha nascido ensinada. Eu também já tinha a experiência de como eu própria manuseava a dita cuja.
Correu bem, mas ainda no hospital tive de solicitar o milagroso Suplemento à noite, pois, caso contrário, eu passava a noite e o dia em branco e ia acabar por acabar num Hospital Psiquiátrico.
Ela bebia-o todo, após uns minutos de maminha, e ficava satisfeita. Ainda assim, vim para casa só com o leite que eu própria produzia, sem suplemento algum, comprei a bomba para me ajudar a controlar o leite que produzia. Correu bem uns três dias, até que houve uma noite péssima, seguida de outra noite péssima, e não, não eram cólicas. Era gula. Só se calava na mama. Bebia até não sobrar mais nada, sendo que acabava-se depressa porque a miúda nasceu gorda e era de muito alimento. Disse BASTA. Não é bom nem para mim, nem para ela. Vou comprar o leite da lata e acabou. Esta decisão veio acompanhada de: ''Vou continuar a dar o meu''. E assim foi. Acontece que a criança habitua-se à tetina, na qual não tem de fazer a mesma força que na maminha, e quando eu a colocava na mama, dois segundos após, gritos e apitos ecoavam no prédio todo e até nos prédios vizinhos.
Pelo que me cansei, shame on me, e deixei de dar. Ainda tirava com a bomba para ver se produzia mais.. mas não. De maneiras que é assim, a fraca desistiu outra vez e já não vai ter direito à dispensa de 2 horas no trabalho após os 12 meses de idade.
Invejo positivamente e admiro imenso as mães que conseguem dar leite muito tempo. Eu infelizmente, pela segunda vez, desisti.
Pode ser que à terceira corra melhor... (Brincadeirinha)
Agora podem as mães amamentadoras invejarem-se de mim, que a criança já dorme 6 horas seguidas. 👌
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Entre mamadas e cag*das...
... lá consegui vir dar as novidades, passados 17 dias.
Ora então que a criança nasceu dia 8 de julho, com 40s+1d, não fizesse eu tudo por tudo para nascer sem ajudas de induções e cenas que tal.
Foi agachamentos, foi mudanças de móveis, foi danças com balanço do quadril... E no meio disto tudo lá se deu o rompimento da bolsa, uma fuga muito pequena, não saiu em jacto como eu tanto ansiara...
A fuga deu-se ao longo de todo o dia 7, em que eu ponderei inclusive, tratar-se de incontinência.
Final do dia, nas calmas fomos ao Hospital, Sistema Nacional de Saúde* de quem eu tanto dissera mal.
''Deite-se ali e tussa'' Disse ele. O Médico.
Assentiu com a cabeça de que tratava de líquidos.
''Há quanto tempo está assim?''
''Desde manhã, mas à tarde piorou''
Vá de fazer toque.
''Eu estive cá ontem por causa do rolhão mucoso''
''E o que lhe disseram?''
''Que o colo estava mole e tinha 1 dedo de dilatação''
''Pois mas agora tem 4 dedos, fica internada''
''Mas eu nem tenho contrações''
''Alguma coisa há-de ter porque está em trabalho de parto''
MEU DEUS trabalho de parto?????? Isto nunca me tinha acontecido, a outra foi induzido!!!
Afinal se calhar não estou assim tão preparada!!!
''Assine aqui este consentimento da Epidural''
''Tenho de decidir já??? Eu queria evitar... da outra levei porque levei Oxitocina e tive conhecimento que as dores com Oxitocina são piores, mas se me diz que estou em trabalho de parto, se calhar não é necessário''
''Mas já está a perder líquidos à muitas horas, pelo que vamos ter de acelerar, temos de dar Oxitocina.
A verdade é que não deram Oxitocina. A pessoa aguentou-se. E eis que com 10 dedos de dilatação, já no dia seguinte, a pessoa lembra-se que afinal se calhar não aguenta as dores e diz à Enf. que se calhar quer a Epidural. A Enf. responde que alguns anestesistas não gostam de dar num estado já tão avançado.
Então espera lá... Se não gostam é porque deve haver contra-indicações. Que se lixe. Se aguentei até agora, também aguento até ao fim. E posso dizer que foi o melhor que fiz. Não ter levado Epidural ajudou imenso no momento da expulsão. Pois, se a tivesse levado, provavelmente não conseguia ter feito tudo sozinha, sem ajuda de ventosas e afins. E eis que a criança aparece em cima de mim, 3.910kg de pessoa (gorda como sua irmã).
O pós-parto foi maravilhoso. Os comprimidos que me deram para as dores enquanto lá estive, fiz com eles um montinho, pois, dores, nem vê-las. Só uma enxaqueca, que já cá faltava.
Agora, passadas duas semanas, dou por mim a pensar no que me terá passado pela cabeça para querer passar por isto tudo outra vez. As noites
Mas depois, aqueles olhinhos muito abertos a olhar para mim enquanto mama, fazem esquecer a noite complicada que se avizinha, dia após dia. Mentira, até não me posso queixar até agora...
Quem me conhece, que me dê duas lambadas na cara quando, daqui a 4 anos eu me esquecer de tudo isto e me lembrar de querer ter o terceiro filho.
*Letra maiúscula porque afinal, a coisa até correu bem e não me enervei com ninguém enquanto lá estive.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
A 5 semanas de te conhecer...
… existe todo um misto de emoções, desde medo, ansiedade,
pena, saudade, alegria, e tudo e tudo.
Olho para a minha barriga de 234 cm de diâmetro, que se mexe
como nunca se mexera enquanto a outra inquilina por cá andou, que a miudinha
era calminha, e quase me vêm as lágrimas aos olhos, pensando que pode ser a
última vez que vou…
… sentir cotovelos e calcanhares a espetarem-se
contra o meu tecido adiposo.
… estar em casa tantos meses por um bom motivo;
… ter prioridades nas filas por um bom motivo;
… passar meses sem enxaquecas;
… ter medo de morrer no parto;
… ter quase 90kg, mas elegantíssima.
Por outro lado, a ansiedade de te ver pela primeira vez é
enorme, por mim era já hoje, (fica a dica), que gorda como és, não deve haver
grandes problemas…
Quando nasceres, vou desejar que voltes cá para dentro, não
por saudades ainda, mas porque provavelmente já não te consigo aturar a ti, às
cólicas, às noites sem dormir, uiii e que mal me dou com a privação do sono.
Mas enfim, a pessoa quando decide ter filhos tem de se sujeitar.
Por último, o medo do parto e do pós-parto mantém-se. Mas
vamos acreditar que vamos ser bem tratadas pelos excelentes profissionais que
existem neste mundo, que acredito que ainda os haja.
Vou ser chatarrona, lamento, mas vou fazer mil perguntas ao
longo do processo como se fosse a primeira vez, quem me calhar vai precisar de
muita paciência.
Faltam 5 semanas, mais coisa, menos coisa. 5 semanas
compridas, mas que vão deixar saudades. Muitas.
Pode ser que a gente repita a brincadeira* daqui a 4 anos. E
estas 5 semanas possam afinal, ser as penúltimas.
*A sorte é que o pai das crianças não vem ler os disparates que
escrevo, se não era capaz de fugir de casa e só voltar depois de fazer uma
Vasectomia.
terça-feira, 28 de maio de 2019
Sobre o atendimento prioritário...
Confesso que até agora tenho sido uma boa grávida. Não me canso muito, não se me incham os membros inferiores, não fico ofegante quando ando mais de dez metros, e até nem me importo ficar numa boa fila de espera para as caixas de supermercado. Aquelas mesmo boas, de domingo à tarde no final do mês.
Por norma, tenho apanhado pessoas fixes à minha frente ou na caixa, que prontamente se disponibilizam a deixar-me passar à frente, tendo em conta o estado de graça em que me encontro. Respondo de imediato que não, que não é necessário. Que não há problema em aguardar.
Depois há as outras pessoas, as menos fixes, que olham para mim, fingem que não se passa nada e voltam a virar-se para a frente para colocar os seus produtos no tapete rolante.
A senhora da caixa, quando é fixe, olha para mim e pergunta se quero passar, outras vezes não diz nada, porque pensa que sou eu que tenho de me chegar à frente. Se calhar até sou, mas não o faço, pois, as pessoas têm consciência, mas isso é outro assunto.
Voltando às senhoras fixes da caixa, quando me convidam a passar à frente, perante um cenário de alguém que me ignorou, aceito de imediato.
Foi o que aconteceu este domingo, em que eu até só tinha 2 produtos para pagar, e estava um casal à minha frente, olharam para trás varias vezes, e inclusive, consegui ouvir a esposa dizer para o esposo se não queria levar o produto que eu por acaso tinha em braços. O rapaz até respondeu que ainda havia lá em casa.
Quando a senhora da caixa me convidou a passar, ultrapassei de imediato todas aquelas pessoas que se encontravam na fila e depois apercebi-me de um burburinho em que o tal senhor perguntou o que se tinha passado. Alguém respondeu: ''A senhora está grávida''
Ao que o senhor responde: ''Ah, não me apercebi''
E eu, que até exibia um vestido justo com esta barriga com 234cm de diâmetro, acreditei que o senhor talvez estivesse a dizer a verdade quando dizia que não se tinha apercebido. Só que não.
E é por isso que lhe fiz o favor de passar à frente.
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