quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os Angiomas


Para ser sincera, já os conhecia. Já tinha conhecimento de outros meninos que nasceram com as famosas manchinhas. Mas para mim chamavam-se apenas manchinhas-que-desaparecem-com-o-tempo.

Quando tu nasces-te, nesse mesmo momento puseram-te em cima de mim de barriga e cabeça para baixo, pelo que só consegui ver o teu pequeno traseiro. Após algum tempo, é que o pai te trouxe até mim, já vestida e aí consegui apreciar-te, tal como já referi em post’s anteriores, e aí é que verifiquei que tinhas uma série de manchinhas dessas, as-que-desaparecem-com-o-tempo, na zona do sobrolho, nem me preocupei, visto que como o próprio nome indica, desaparecem com o tempo. Ok, que se lixem as manchinhas que daqui a uns meses irão à vida delas. Só que depois vieras as visitas e cada pessoa que olhava para ti, questionava então e estas manchinhas são o quê? E eu respondia: ‘’ah e tal, desaparecem com o tempo’’. O teu pai dizia a toda a gente que foi das ventosas. Mentira. Há muitos meninos que nascem sem ventosas nem outros adereços e no entanto também nascem com as ditas. Após perguntar a tudo o que seja médico, enfermeiro e afins, lá me disseram que se tratava dos Angiomas do recém-nascido, e que efectivamente desaparecem com o tempo. O pediatra da L. foi mais além e disse-me, inclusive, que poderiam até crescer até aos 6 meses e então diminuiriam até desaparecer. Não foi o caso, não cresceram. Estão até mais pequenos. Passados 5 meses, e embora mais pequenos, as pessoas continuam a dizer: ‘’ainda tem as manchinhas’’ ou ‘’isto desaparece mesmo?’’ ou até mesmo quem não sabe do que se trata pergunta: ‘’ isto é uma alergia?’’ e já chegaram ao cúmulo de dizer: ‘’ andou-se a arranhar com as unhas não?’’. E eu lá tento explicar, que desaparecem-com-o-tempo. E há quem fique a olhar para mim com cara de espanto como se fosse algo extremamente… diferente?

Não. Efectivamente as manchinhas vão desaparecer e dispenso comentários como ‘’ainda não desapareceram’’. Isto não é coisa de dias, é coisa de meses. Muitos meses. Por outro lado também me sabe muito bem dizerem-me: ‘’uau, já mal se notam’’. Isso sim, são observações aceitáveis.

Se me importo com as manchinhas? Nada.

Se me importo com comentários inapropriados e repetitivos? Um bocadinho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Desafio do dia


Se há algo extremamente desafiante, é tentar calçar-te um par de sandálias. Quando estou a calçar a segunda, já a primeira saltou para algures, e assim sucessivamente. Ainda bem que só tens dois pés!

domingo, 24 de maio de 2015

Casas

A minha casa de sonho (e não estou a sonhar muito alto)
 A casa de sonho do N.


Parece que vamos ter sérios problemas no futuro.

Pais e Avós



Pode dizer-se que a Lia só tem um avô e uma avó, não porque os outros tivessem morrido, mas por outros motivos, e como tal não tenho experiência para poder analisar a relação com a L.. Podemos chamá-los ‘’pais do pai’’. Então concentremo-nos nos Avós. 

Cinco meses depois de nasceres, posso afirmar que o que se costuma dizer dos avós estragarem os netos é bem verdade. Só tens cinco meses, é verdade, mas já tens uma grande inteligência no que às manhas diz respeito. Os pais educam, os avós deseducam, no bom sentido claro.
Nesta semana e meia de estadia em casa dos avós deste-me mais trabalho do que quando nasceste. Recomecei a trabalhar no dia 13 de Maio e tu ficavas com os avós ou com a Madrinha, nos dias em que era necessário. Chegava a casa extremamente cansada e estavas lá tu de braços abertos para me dares ainda mais trabalho. Confesso que me aproveitei um pouco desta estadia porque não estava sozinha e tinha alguém para tomar conta de ti mesmo que eu estivesse em casa. No entanto, fazias deles o que querias, ou melhor, eles faziam tudo o que tu querias. Não podias soltar um ligeiro grito, iam logo pegar-te ao colo. Estavas na cama e perdias a chucha ainda que a dormir, manifestavas o teu desagrado perante a situação e pumbas, iam logo buscar-te coitadinha da menina. Resultado, era eu que dormia no mesmo quarto que tu e enfim, toda a situação se reflectia nas noites. Se em casa dormias 12 horas por noite, na casa dos avós dormias 3 horas, acordavas, dormias mais 4, e claro, era eu que lá estava. Cheguei muitas vezes a deixar-te com o pai e ir dormir para a sala, a sentir-me horrivelmente mal e irresponsável por deixar o meu bebé, mas eu precisava mesmo de descansar . E a situação repetia-se noite após noite. Poderá ter sido também por teres mudado da alcofa para o berço ou por mil e uma razões, ou até mesmo sem razão nenhuma, só porque sim. Mas a verdade é que se me deste noites tão boas nestes 5 meses porque é que logo agora que comecei a trabalhar estás a fazer isto? E o grave é que de madrugada, quando te manifestavas, eu pegava-te ao colo e tu rias-te na minha cara, como se tivesse uma enorme piada.


Por isso minha menina, hoje vamos para casa e eu espero mesmo que tu voltes à normalidade, para bem da minha sanidade mental. Porque amanhã é o grande dia, vais para o Berçário, ainda que por pouco tempo, visto ser o primeiro dia. E se vai custar… 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O regresso II


Eram 6h15 quando o despertador tocou. Já estava acordada há algum tempo. Levantei-me e fiz o que as pessoas normais fazem quando acordam. Tomei o pequeno almoço e nos entretantos, enquanto entrava e saía do quarto com os meus afazeres, tu acordas-te e começas-te a falar sozinha. Peguei em ti e ainda tive tempo de te dar o biberão. Olhavas para mim com uns olhinhos muito fofinhos. Na verdade, os olhos com que me olhas sempre. Mas só ontem consegui perceber o quão fofinhos eram. Quando terminas-te dei-te muitos beijinhos e tu estavas muito contente e eu a roer-me por dentro a pensar que daí a 10 minutos ias chorar imenso por não me veres em lado nenhum quando olhasses para o teu redor. Sentei-te na esperguiçadeira a ver os bonecos na televisão e tu muito atenta. Olhei para ti uma ultima vez antes de sair e percebi o quanto eras fofinha. E doeu o fechar da porta. Quando desci as escadas tive um leve aperto no peito, não por mim, mas por temer que sentisses a minha falta. Não sentis-te. Pelo menos não o manifestas-te. Fiquei descansada. Durante o dia pensei em ti muitas vezes. Mas sempre confiante que estavas bem. Melhor não podias ficar. 

O regresso


Afinal não custou assim tanto. Talvez porque sei que estás bem, visto que ainda estas em casa e não no infantário, ou talvez porque me conformei que eram só 6 horas e até passou rápido, ou então porque já estava ansiosa por voltar a trabalhar, ou quiçá porque sei que ainda não te apercebes da gravidade da situação que é ficar sem a mamã por algumas horas. Acho que é mais psicológico do que propriamente um sacrifício. A verdade é que não custou nada. Agora. Vamos ver dia 1 de Junho. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Cordão Umbilical


Eu e tu estamos unidas por vários cordões umbilicais. O primeiro foi cortado quando nasces-te, o segundo, foi cortado hoje quando te deixei para ir trabalhar, mesmo que só por 6 horas. O terceiro será cortado quando casares, aos 40 anos claro, daqui a muitos anos.