sábado, 2 de maio de 2015

A Maternidade I



Desde sempre tive o sonho de ser Mãe. Nunca tive irmãos, e isso custou-me bastante a ultrapassar quando ainda era uma criança cujo único sonho era ter um irmãozinho para poder tomar conta. O tempo foi passando e acabou por não se proporcionar. Os anos foram passando (não tantos) e claro, o sonho de ter irmãos transformou-se noutro tipo de sonho, o de ser Mãe. Por este desejo ser tão ambicioso, vinha acompanhado de medos, o medo de não o poder concretizar por qualquer motivo que fosse. Mas um dia, o dia 07 de Abril de 2014, todos os medos foram aniquilados quando um tracinho cor-de-rosa mudou a minha vida. Nesse dia houve um misto de sentimentos, desde alegria, pânico, dúvidas, e medos, mas desta vez era um medo diferente, o medo de perder o bebé, de que algo poderia estar errado. Posso até dizer que até ao dia em que te vi e te toquei, uma série de medos e de possíveis acontecimentos negativos me passaram pela cabeça. Logo no dia seguinte ao descobrir-te, fui ver-te. Eras apenas uma bolinha preta que quase era precisa uma lupa para te ver na Ecografia. Tinhas 5 semanas de vida. O Dr. R.R disse-me imediatamente: ‘’Não ponha nos jornais porque não sabemos se é viável’’. Tudo bem, para mim já era mais do que viável, porque o que quer que acontecesse, tu já estavas dentro de mim, eu já era Mãe, já nada importava. Fui ver-te novamente duas semanas depois. Eras uma bolinha um pouco maior, desta vez já não eras preta, já tinhas uma sombra branca que se podia chamar coração e que eu ouvi com todas as emoções e mais algumas. Finalmente, eu já tinha alguém que me viria a chamar Mãe, dentro de mim, a crescer dentro da minha barriga. O Dr. R.R voltou a citar: ‘’Não ponha nos jornais, olhe que ainda são só 7 semanas’’. Eu queria lá saber, só me apetecia gritar ao Mundo. Mas não gritei. Contei apenas às pessoas mais próximas, e, às restantes ia contando… Podia continuar a contar cada dia que passou da tua vida intra-uterina, neste caso, da minha, porque me lembro de cada momento, de cada sensação, como se tivesse sido hoje de manhã, mas não vou fazê-lo. Não hoje.

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